Odisséia de Homero - Livro XXII - Tifsa Brasil
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    27 de junho de 2018

    Odisséia de Homero - Livro XXII

    Despe os trapos o herói, pula à soleira
    De arco e de aljava, e aos pés derrama as frechas,
    Dizendo aos procos: “A árdua empresa é finda;
    Num alvo nunca dantes alcançado
    5 A mira tenho, e dê-me glória Febo.”
         A Antino aqui dispara o tiro acerbo,
    Quando ele as duas asas d’áurea taça
    Maneava, e o licor ia empinando,
    Não cuidoso da morte. Quem previra
    10 Que entre muitos um só, famoso embora,
    À Parca o renderia? A ponta o vara
    Da goela à cerviz tenra; ao golpe, Antino
    Deixa a taça cair, de ilharga tomba;
    Sangue das ventas jorra, e a pés convulso
    15 A mesa empurra; espalha-se a comida,
    Suja-se a carne e o pão. Ferve o tumulto;
    Erguem-se alvorotados, procurando
    Em vão, pelas paredes esculpidas,
    Escudo ou lança, em cólera fremiam:
    20 “Que! forasteiro, aos homens é que apontas!
    Final proeza: abutres vão tragar-te;
    Mataste a flor dos Ítacos mancebos.
         Louco! acidental suponho o caso,
    Nenhum tão iminente o fado cria”;
    25 Mas carrancudo Ulisses: “Cães! julgando
    Que eu de Ílio não viesse, consumida
    Nossa fazenda, as servas estupráveis,
    E de um vivo a consorte pretendíeis,
    Sem pejo nem temor de homens e deuses!
    30 Agora transporei o umbral da morte.”
         Susto e palor os cobre; olhando buscam
    Algum refúgio, e Eurímaco responde:
    “Se és na verdade Ulisses Itacense,
    Tens razão, porque os Dânoas cometeram
    35 Neste paço e no campo iniquidades.
    Mas ali jaz quem foi de tudo causa,
    Antino: a tais ofensas induziu-nos,
    Por amor não das núpcias, por cobiça
    E ambição de reinar; quis de teu filho,
    40 O que o Satúrnio lhe tolheu, dar cabo.
    As traições expiou; poupa teus povos.
    Será pública a emenda, e prometemos,
    Pagando quanto aqui te consumimos,
    Cada um com vinte bois satisfazer-te,
    45 Com ouro e bronze que teu peito alegrem.
    O desagravo aplaque-te os furores.”
         Tétrico o herói: “Toda a paterna herança
    E muito mais, Eurímaco, me désseis,
    A desforra cruenta era infalível.
    50 Só vos pode salvar combate ou fuga;
    Nenhum cuido porém que a Parca evite.”
         Esmoreceu com isto, os joelhos frouxam,
    E Eurímaco replica: “Aljava e arco
    Ele não deporá das mãos invictas,
    55 Sem que do limiar nos prostre, amigos.
    Sus, dos gládios puxai, fazer das mesas
    Reparo aos tiros seus; num grupo unidos,
    O expilamos do ingresso, e reclamemos
    Pela cidade auxílio: último o dia
    60 Seja em que setas rápidas jacule.”
         O bronze afiado arranca de dous gumes,
    Salta horrendo a rugir contra o Laércio;
    Que lesto à mama o fere, e a veloz farpa
    No fígado lhe prega: a espada vai-se;
    65 Revolto em cerco à mesa, donde rola
    Comida e louça, de cabeça em terra
    Bate, e a pés, convulsivo e agonizante,
    Sacode o assento; a vista se lhe entrava.
         Corre Anfínomo a Ulisses glorioso,
    70 De alfanje nu, para o expelir da entrada;
    Mas o pique Telêmaco entre os ombros
    Atrás lhe enterra e os peitos lhe traspassa;
    Só não lho extrai, de medo que, ao sacá-lo,
    Prono o apunhalem. Súbito recorre
    75 A seu pai: “Vou trazer-te aêneo casco,
    Dous dardos e um broquel. Tempo é de armar-me
    E os pastores fiéis.” — “Sim, volve Ulisses,
    Não tardes, filho; enquanto as frechas durem,
    Todos eles das portas não me arredam.”
    80 À voz do caro pai, despede aonde
    Recolheram-se as armas; oito escudos,
    Hastas oito, quatro elmos traz cristados,
    E ao campeão de pronto vem juntar-se;
    Arneza-se primeiro e os dous pastores,
    85 Com quem de Ulisses em redor se posta.
    Do cauto herói cada frechada abate
    Um dos procos, e em pilha iam caindo.
    Esgotado o carcás, à ombreira o encosta
    E o válido arco à nítida fachada;
    90 Quádruple escudo embraça, rígido elmo
    Nutante enfia de cocar eqüino,
    Éreos dardos fortíssimos apunha.
         Alta janela havia na parede,
    E ao cabo do vestíbulo de tábuas
    95 Estreita rampa, a única subida:
    Manda Ulisses a Eumeu que ali vigie.
    Agelau, que o percebe: “Amigos, disse,
    Não há quem monte à superior janela,
    Pelo povo a bradar? com sua ajuda,
    100 Este homem nunca mais dardejaria.”
         Melântio refletiu: “Não é possível,
    Divo Agelau; que a rampa, junta ao pátio,
    Por empinada e angusta, um só valente
    Basta a guardá-la. Acima eu vou pôr armas,
    105 Ânimo! estão, suponho, em celsa estância,
    Onde Ulisses e o filho as depuseram.”
         Por interior escada ei-lo que passa
    À câmara de Ulisses, donde aos procos
    Doze dardos fornece e broquéis doze,
    110 Doze êneos cascos de camada crista.
    O herói tituba um tanto, ao ver arnêses
    Fugir aos peitos e nas mãos remessos;
    Maior a empresa então se lhe afigura,
    E grita: “Armou-nos, filho, uma das servas
    115 Cruel certame, se não foi Melantio.”
         “A culpa é minha, o príncipe confessa,
    A câmara, meu pai, deixando aberta;
    Eles desse descuido se valeram.
    Anda a fechá-la, e observa, Eumeu, se alguma
    120 Escrava é quem nos trai, ou, como julgo,
    De Dólio o filho.” — Entanto, Eumeu lobriga
    Melântio a remontar: “Solerte Ulisses,
    O traidor é o ruim que suspeitamos.
    Se o venço, hei de matá-lo, ou conduzir-to
    125 Por que pene os excessos perpetrados?”
         E o rei prudente: “A lhes conter a fúria
    Eu basto com Telêmaco. Vós ambos
    Na câmara o tranqueis: atai-lhe às costas
    Mãos e pés; ao pilar da corda o extremo
    130 O ice; da trave atormentado penda.”
         Apressuram-se os dous. Sem que os bispasse
    Já dentro, armas catando, o guarda-cabras,
    De sentinela ao patamar ficaram;
    Até que sai, com reluzente casco
    135 Na esquerda, na direita um ressequido
    Largo e velho broquel do bom Laertes,
    Que estava ali de loros despegados.
    Com juvenil ardor, no solho interno
    Rojam-no preso, amarram-no e penduram,
    140 De seu senhor executando as ordens.
    Mordaz, Eumeu, clamaste: “Ora, Melântio,
    Na mole veles merecida cama;
    E, ao raiar do Oceano a matutina
    Aurora em trono de ouro, não te esqueças
    145 De lhes trazer para os banquetes cabras.”
         Arrouchado e suspenso, o abandonaram,
    Fechando a porta; e em bronze reluzindo,
    A respirar vigor, juntam-se ao divo
    Sábio guerreiro: à entrada apenas quatro,
    150 São muitos os da sala e não cobardes.
    Em Mentor se disfarça e vem Minerva;
    Ulisses a folgar: “Mentor, socorro;
    Amigo teu fui sempre, e me és coevo.”
    Ora assim, mas suspeita ser Tritônia.
    155 Rompem logo em doestos, e é primeiro
    Agelau Damastórides: “Ulisses
    Contra os procos, Mentor, não te seduza;
    Ou com teu sangue expiarás a culpa,
    Assim que ele e Telêmaco sucumbam,
    160 Como é de crer. Depois que o bronze expires,
    Teus bens de fora e urbanos confundidos
    E os do Laércio, de Ítaca a família,
    Os filhos teus, as filhas, casta esposa,
    Nós surdos à piedade expulsaremos.”
    165     Em mais cólera a déia: “Já te falta,
    Ulisses, o valor que, da alva e nobre
    Helena a pró, nove anos despregaste,
    Varões tantos rendendo em graves prélios,
    Ílion por teus conselhos derrocada:
    170 Como! nas tuas possessões recusas
    A insolentes punir! Ânimo, filho;
    O Alcimides verás como te é grato.”
    E a fim de comprovar o esforço dele
    E do excelso Telêmaco, a vitória
    175 Inda balança, e em resplendente poste,
    A revoar, qual andorinha, pousa.
    Eurínomo, Agelau, Demoptólemo,
    Anfimédon, Pisandro Politório,
    Pólibo armiperito, aos seus roboram;
    180 Os fortes são que vivos pleiteavam,
    Pois o arco assíduo os outros já domara.
    “Vêde-o, grita Agelau, que as mãos invictas
    Retêm; Mentor jactancioso foi-se;
    À entrada, amigos, sós pelejam quatro.
    185 Eia, brandi, não todos, mas seis dardos:
    Jove nos glorifique, o herói firamos;
    Dos mais não se nos dê, se ele é vencido.”
         Frustra Minerva os dardos seis que voam:
    Prega-se à porta um freixo de érea choupa,
    190 Outro ao grosso alizar, outro à parede.
    Malogrados os tiros, manda Ulisses
    Paciente e firme: “Toca-nos, ó caros,
    Punir os que ardem consumar seus crimes
    Com nossa morte.” Lanças quatro zunem:
    195 Ele a Demoptólemo, o filho a Euríade,
    A Élato Eumeu, Filétio ao Politório,
    Morder o vasto pavimento fazem.
    Recua ao fundo a chusma, e os quatro os freixos
    De chofre dos cadáveres desprendem.
    200 De novo os procos a vibrar forcejam,
    E as hastas quase inutiliza Palas:
    No portal finca-se uma, outra num poste,
    Ou num lanço da sala; mas o corpo
    A Telêmaco esfola a de Anfimédon,
    205 E a de Ctesipo, a Eumeu roçando a espádua,
    Salva o escudo e baqueia. Em torno ao chefe
    Mantêm-se inda mais bravos: a Eurídamas
    O eversor de muralhas, a Anfimédon
    Fere Telêmaco, o porqueiro a Pólibo;
    210 A Ctesipo Filétio os peitos vara,
    E ufaneia: “Insultante Politérside,
    Cessas de encher a boca de estultícias;
    Cabe o discurso aos poderosos numes.
    Pago és do pé de boi com que hospedaste
    215 O divo herói mendigo em seu palácio.”
         Ao falar o vaqueiro, fronte a fronte
    Seu amo a Damastórides lanceia;
    Por Telêmaco a bronze roto o ventre,
    Se debruça Leócrito Evenório,
    220 Bate no solo a testa . Eis do fastígio
    Alça Tritônia a égide homicida:
    Vagam todos atônitos, qual fogem
    Do vário ágil tavão picadas reses
    Nos vernais longos dias. Da montanha,
    225 De garra e bico adunco, abutres saltam
    Sobre aves, que tremendo alam-se às nuvens;
    Eles porém, folgando os campesinos,
    Sem mais refúgio, alcançam devorá-las:
    Assim de cabo a cabo a turba acossam,
    230 Rompem, vulneram; mestos ais ressoam,
    E todo o pavimento em sangue ondeia.
         Súbito abraça a Ulisses os joelhos
    Suplicante Liodes: “Compassivo
    Me sê, Laércio. Nunca obrei, nem disse
    235 Cousa que as servas tuas ofendesse;
    Antes continha os sócios, que emperrados
    O mal purgaram já com morte feia.
    Vate e inocente, padecer não devo:
    Recompensa futura aos bons compete.”
    240 Sombrio o rei troveja: “Eras seu vate,
    Longe me ansiavas dos queridos lares,
    Ter de minha mulher quisestes filhos;
    Trago amargo haverás.” E, erguendo a espada
    Que ao morrer Agelau deixara em terra,
    245 Com mão forte a Liodes, que ainda orava,
    A cabeça mutila e em pó lha envolve.
         O Terpíades Fêmio, dos intrusos
    Cantor coato, esquiva-se ao trespasso;
    E, em punho a lira arguta, considera,
    250 À superior saída, se abrigar-se
    Na ara de Jove iria, onde o Laércio
    E o pai queimaram coxas mil taurinas,
    Se deitar-se-lhe aos pés: foi deste aviso.
    Entre a cratera e a sede clavi-argêntea
    255 Pondo o cavo instrumento, implora e estreita
    Os joelhos do herói: “Príncipe augusto,
    Perdão! há de pesar-te se exterminas
    Vate que humanos e imortais celebra.
    Eu doutrinei-me, o Céu me inspirou mesmo
    260 Onígenas canções; posso entoar-tas,
    Qual a um deus: no meu sangue ah! não te manches.
    Por indigência não, teu filho o sabe,
    Dos procos aos festins forçado vinha;
    Tantos e mais potentes me obrigavam.”
    265     Enérgico Telêmaco: “Este insonte,
    Nem o arauto castigues, pois na infância
    De mim curava, se é que Eumeu, Filétio,
    Ou golpes teus letais o não prostraram.”
         Ouve-o Médon alerta, que medroso,
    270 De baixo do seu trono, em fresca pele
    Bovina se escondera; e, sacudindo-a,
    Ajoelha-se a Telêmaco: “O paterno
    Cru bronze, amigo, aos loucos não me iguale
    Que, esbanjados os bens, te desonravam.”
    275 Sorrindo o herói: “Telêmaco salvou-te
    Sus, apregoa que vantagem leva
    Sempre a virtude ao vício. Ao pátio aguarda
    Mais o cantor famoso, que eu preencha
    Quanto me cumpre.” — Da carnagem fora,
    280 Ambos da ara de Jove tudo espreitam.
    Na sala, circunspecto, ele examina
    Se inda algum respirava, e em pó sangrento
    Jaziam todos: qual à praia curva
    Arrasta a malha os peixes, que, empilhados
    285 Na areia, mudos cobiçando as vagas,
    À luz do Sol em breve o alento exalem;
    Tais os procos ali se amontoavam.
    E Ulisses: “Da nutriz já já preciso,
    Telêmaco.” O postigo o moço volve:
    290 “Olá, quer-te meu pai, não tardes, ama,
    Que és das fâmulas todas superiora.”
    Fútil mando não foi; que, abrindo as portas,
    Caminha após Telêmaco Euricléia:
    De mãos e pés imundo encontra a Ulisses
    295 De fresca mortualha circundado;
    Como o leão, que, tendo a rês comido,
    Cruento o peito e a cara, avulta horrível.
    Nos mortos atentando e no alto feito,
    Ia a velha gritar; seu amo o atalha:
    300 “Folgues embora em ti, mas não jubiles;
    Cousa é torpe exultar por homicídios.
    Cru destino os domou, sua impiedade:
    Sem respeito a ninguém, por bom que fosse,
    Pecados seus à Parca os devotaram.
    305 Agora as delinquentes me enumera,
    Que esta casa honestíssima desdouram.”
    E a dileta nutriz: “Meu filho, escuta.
    Fâmulas tens cinqüenta, que ensinamos
    A lavrar, a cardar, a submeter-se
    310 À escravidão: na impudicícia doze,
    De mim não se lhes dá, nem dá senhora
    Telêmaco, inda há pouco adolescente,
    Que a mulheres governe a mãe proíbe.
    Eu já subo a falar com tua esposa,
    315 Por divino favor adormecida.”
    Mas ele: “Não é tempo de acordá-la.
    Aqui me chama as impudentes servas.”
    Apressura-se a velha mensageira.
         A Telêmaco o rei e aos dous pastores
    320 Juntos prescreve: “A transferir os mortos
    Começai, das mulheres ajudados;
    Expurguem-se depois com água e esponja
    Tronos e mesas. Toda a sala em ordem,
    As rês daqui levai; de espada a fios
    325 Da cerca do átrio em meio e da rotunda,
    Expire uma por uma, e esqueçam Vênus
    Que furtivas as ligava aos pretendentes.”
         Elas em pranto e ais chegadas foram;
    Soluçando, os cadáveres às costas,
    330 Ao pórtico do pátio os depuseram,
    Mútuo auxílio a prestar-se; o mesmo Ulisses
    As concitava, e a custo prosseguiam.
    Limpos à esponja os móveis elegantes,
    O solo os três com pás iam raspando,
    335 O lixo as criminosas carregavam.
    E concertada a sala, as conduziram
    Da cerca do átrio ao meio e da rotunda,
    Augusto sítio, impedimento à fuga.
         Lá Telêmaco disse aos companheiros:
    340 “Não morram simples morte as que, nos braços
    De infames tais, enchiam-me de opróbrio
    E a minha casta mãe.” Nisto, um calabre
    Naval de uma coluna atando, em roda
    No alto passa da torre, que nenhuma
    345 O chão de pés tocasse. Qual, entrando
    Pombas ou tordos num vergel, da moita
    Em rede caem de estendidas asas,
    Triste poleiro e cama; assim, por ordem
    Elas em laços, curto esperneando.
    350 Cessam de palpitar estranguladas.
    Ao vestíbulo e átrio, a sevo bronze,
    Ventas e orelhas a Melântio cortam,
    Lançam-lhe os genitais a cães famintos,
    Pés decepam-lhe e mãos. — Completa a obra,
    355 Vão-se purificados ao Laércio,
    Que determina: “Salutar enxofre
    Traze e fogo, Euricléia; defumada
    Seja a casa. Ao depois a vir exortes
    A rainha e as escravas.” — Mas a velha:
    360 “Otimamente, filho meu, discorres;
    Outras vestes porém dar-te-ei primeiro:
    Decoroso não é que em teu palácio
    Forres de andrajos os robustos membros.”
         Insta o senhor: “O fogo é já preciso.”
    365 Fogo e enxofre sem réplica ela trouxe.
    Com que Ulisses defuma a sala e o pátio.
    Sobe a ama de novo e intima as ordens:
    As servas em tropel sustendo fachos,
    Ledas em torno, abraçam-no e saúdam,
    370 Beijando-lhe a cabeça e as mãos e espáduas;
    E ele, que n’alma as reconhece, um doce
    Desejo tem de choro e de suspiros.

    NOTAS AO LIVRO XXII
    93-98 — A posição desta janela e subida não se pode bem determinar; os comentadores não explicam o lugar satisfatoriamente, nem eu me lisonjeio de ter acertado.
    141-145 — Nesta passagem, principalmente no fim, apartei-me um pouco do sentido literal, para melhor exprimir a zombaria de Eumeu.
    155 — Doesto significa injúria ou vitupário; sem embargo de alguns diários e folhas o tomarem erradamente por dor ou pesadume.
    210 — Advirto que, sempre que vem o nome Ctsipo com duas sílabas, eu o faço de três Ctesipo, como o fez Pindemonte; porque na língua portuguesa, que foge de muitas consoantes seguidas, o dissílabo seria áspero em qualquer verso.
    342-354 — Toda esta cena de serralho, como a nomeia M. Giguet, é horribilíssima; e acrescenta o horror o suplício de Melântio, sobre quem se exerce uma vingança brutal. Não é mau que Homero nos pintasse um tal quadro, para avaliarmos os costumes daqueles tempos. Contudo, se fosse Virgílio que o fizesse, quantas pragas não choveriam das bocas e penas de certos críticos modernos!
    368-372 — Depois da cruel carniçaria, Homero desenluta o seu ouvinte ou leitor com a ternura das servas inocentes, e com o desejo de chorar que teve o senhor ao reconhecê-las; mas, não obstante a habilidade com que traça este novo quadro, o primeiro não se apaga e nos deixa uma dolorosa impressão. Ir ao índice do livro.
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