Guerra da Gália - Livro IV - Tifsa Brasil
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    4 de julho de 2018

    Guerra da Gália - Livro IV

    COMENTÁRIOS DE CARLOS JÚLIO CÉSAR À GUERRA DA GÁLIA

    Livro I - Livro II - Livro III - Livro IV - Livro V - Livro VI - Livro VII - Livro VIII

    ARGUMENTO
    Perseguidos pelos Suevos, que são sumariamente descritos, os Germanos Usipetes e Tencteres invadem os Menapios, e avançando daí até os Eburões e Condrusos, são por Cesar derrotados com grande estrago. Deles se salvam entre os Sugambros, retirando-se para além Rim - c. 1-15. Passa Cesar o Rim, construindo nele uma ponte, castiga os Sugambros, liberta os Ubios e volta à Galia c. 16-19. Parte dos Morinos para Britania; e com dificuldade desembarcado o exército e subjugada parte da ilha, regressa à Galia c. 20-36. Reduz os Morinos à submissão c. 37-38.

    I - No inverno que se seguiu, durante o consulado de Cn. Pompeu e M. Crasso, os Germanos Usipetes e Tencteres passaram o Rim em grande multidão não longe do mar, onde desagua o mesmo rio. Foi causa da emigração o verem-se oprimidos pelos Suevos, que os vexavam muitos anos com guerra, e os não deixavam lavrar a terra. De todos os Germanos são os Suevos os mais poderosos e guerreiros. Afirma-se possuirem cem cantões, de cada um dos quais tiram mil homens todos os anos para fazer guerra aos vizinhos. Os demais permanecem nos cantões, e se sustentam a si e aquel’outros. Estes no seguinte ano pegam em armas pelo seu turno, permanecendo aquel’outros nos cantões. Assim nem se interrompe o trabalho da agricultura, nem o da milícia, A terra é comum entre eles, e não se demoram mais de um ano num lugar para agricultá-la. Não fazem muito uso do trigo; vivem principalmente de leite e carne de seu gado, e são grandes caçadores: o que, já pelo gênero de alimento, já pelo quotidiano exercício, já pela liberdade de vida, (pois a nenhuma obrigação e disciplina adstritos obedecem unicamente a sua vontade), não só lhes cria grandes forças, mas os torna ainda homens de corpulência descomunal. E tanto se endurecem nestes habitos, que em clima frigidíssimo nenhum outro vestido trazem além de peles, cuja curteza lhes deixa descoberta boa parte do corpo e lavam-se nos rios.

    II - Dão entrada a mercadores, mais para terem a quem vender as presas feitas na guerra, que por desejarem comprar-lhes o que quer que seja. De cavalos importados do exterior, com que tanto se deleitam os Gauleses, comprando-os por alto preço, não usam os Germanos; mas aos que nascem entre eles, pequenos e disformes, afazem-nos com quotidiano exercício aos mais rudes trabalhos. Nas pelejas eqüestres apeiam-se muitas vezes para combater a pé, adestrando os cavalos, a que em caso de necessidade voltam com rapidez, a permanecerem quedos no mesmo lugar. Nada é para eles tão desairoso e aviltante, como o usar de selas. Assim, ainda que poucos sejam, não hesitam em acometer qualquer força de cavalaria montada em cavalos selados. Proibem absolutamente a entrada do vinho, por julgarem que com ele se enervam e efeminam os homens para o trabalho.

    III - Reputam a maior glória da nação o existir em volta dela quanto mais dilatado espaço de terra inculto, como indício de lhes não poderem as demais cidades suportar o jugo. Assim, de um lado afirma-se terem cerca de seiscentos mil passos de campos incultos nas imediações. Do outro demoram os Ubios, cidade outrora ampla e florescente para Germanos, e os mais conversáveis e policiados destes povos, por isso que tocam no Rim, têm freqüente trato com mercadores, e estão em razão da vizinhança afeitos aos costumes gauleses. Havendo vexado com guerra muitos anos, nunca conseguiram os Suevos fazê-los emigrar, por causa das grandes forças da cidade, mas enfraqueceram-nos abateram muito, constituindo-os tributários seus.

    IV - Nas mesmas circunstâncias se acharam os Usipetes e Tencteres acima mencionados, que, suportando muitos anos a agressão dos Suevos, se viram por último obrigados a emigrar e vagando três anos por diversos lugares da Germania, vieram ter ao Rim, na região habitada pelos Menapios, que possuíam campos, edifícios e aldeias em uma e outra margem dele. Aterrados com a invasão de tamanha multidão, transportaram-se os Menapios das habitações, que tinham além do rio, para a outra margem, e dispostos presídios aquém, vedavam aos Germanos o passá-lo. Estes, porém, depois de tentado tudo, não podendo passar a força descoberta por falta de embarcações, nem fazê-lo às ocultas por causa das guardas dos Menapios, simulam regressar para suas antigas habitações e terras. Depois de feito caminho de três dias, voltam de novo a cavalo sobre seus passos, desandado em uma noite todo caminho andado, e caem de improviso sobre os Menapios desapercebidos, pois certificados pelos exploradores da partida dos Germanos se haviam sem receio trasladado para suas aldeias da parte dalém. Senhores das embarcações com morte destes, antes que os Menapios, que habitavam da parte daquém fossem de tal sabedores, atravessam o rio, e apoderando-se-lhes das possessões, alimentam-se o resto do inverno com os víveres nela encontrados.

    V - Informado disto e temendo a inconstância dos Gauleses, que são prontos a mudar de resolução, e inclinados a novidades, julga Cesar não dever confiar neles. Tal é a curiosidade destes povos, que não só obrigam os viajantes a parar, ainda contra a vontade, para inquirir deles o que ouviram dizer ou sabem, mas o mesmo vulgo cerca os mercados nas cidades, para dizerem de que terra vêm e o que aí se passa. Movidos por estes rumores e ditos tomam muitas vezes resoluções sobre negócios de grande monta, das quais têm em breve de arrepender-se, sendo que dão peso a notícias sem fundamento, inventadas quase sempre pelos que as dão, unicamente com o fim de comprazer-lhes.

    VI - Conhecendo-lhes o fraco, e para se não ver depois a braços com guerra mais séria, parte Cesar para o exército mais cedo que de costume; e verifica, ao chegar, ser real o que suspeitara; isto é, haverem algumas cidades mandado embaixadas aos Germanos, para avançarem das margens do Rim, assegurando-os de que encontrariam preparado tudo quanto pudessem necessitar. Levados desta esperança, adiantam-se eles mais desassombradamente, e chegam até às fronteiras dos Eburões e Condrusos, clientes dos Treviros. Convocados então os principais Gauleses, julga Cesar dever dissimular o que sabia; e lisongeando-os e animando, exige-lhes socorros de cavalaria, e resolve marchar contra os Germanos.

    VII - Feito provimento de trigo, e reunida a melhor cavalaria auxiliar, dirige-se com o exército àqueles lugares, onde ouvia dizer acharam-se os Germanos. E distando daí poucos dias de marcha, chegaram-lhe embaixadores da parte destes, cujo discurso se resumiu nesta substância: "Que nem os Germanos atacariam primeiro os Romanos, nem recusariam tão pouco medir-se com eles, se fossem provocados, pois observavam o costume, transmitido por seus maiores, de resistir, sem recorrer às súplicas, a quem quer que lhes fazia guerra - Era porém de saber terem vindo contra sua vontade, e expulsos da pátria; - se os Romanos lhes quisessem a aliança, seriam bons amigos; mas nesse caso, ou lhes assinassem terras, ou lhes consentissem ocupar as que possuiam pelas armas; - que só aos Suevos, aos quais nem os mesmos deuses imortais podiam ser parelhos, cediam o passo; e mais ninguém havia no mundo, a quem não pudessem vencer.

    VIII - A isto respondeu Cesar o que pareceu conveniente, mas foi a conclusão de sua resposta: "Que não podia ter com eles amizade, enquanto permanecessem na Galia; - nem era razão ocuparem fronteiras alheias os que não souberam defender as próprias, nem havia na Galia terras algumas devolutas que, sem prejuízo de terceiro, pudessem ser dadas, principalmente a tamanha multidão; - era-lhes, porém permitido, se quisessem, residirem nas fronteiras do Ubios, que lhe tinham enviado embaixadores a queixar-se das agressões dos Suevos, e implorar-lhe auxílio: - que isso ordenaria ele aos Ubios."

    IX - Tornaram-lhe os embaixadores que tudo levariam ao conhecimento dos seus, e, tomado sobre isso acordo, voltariam ao cabo de três dias, pedindo-lhe que entretanto se não avizinhasse mais deles. Nem ainda isto disse Cesar poder conceder. Sabia haverem dias antes mandado grande parte da cavalaria aos Ambivaritos{6} além do Mosa, para fazer presas e provisões de vitualhas; daí ajuizava interporem tal demora para aguardá-la.

    X - O Mosa provém do monte Vosego, que demora nas fronteiras dos Lingones; recebendo depois o braço do Rim, chamado Walis forma a ilha dos Batavos; e, coisa de uns oitenta mil passos abaixo dela, entra no Oceano. O Rim porém tem sua origem entre os Leponcios, habitantes dos Alpes; corre largo espaço arrebatado pelas fronteiras dos Nantuates, Helvecios, Sequanos, Mediomatricos, Tribocos, Treviros; quando se aproxima ao Oceano, divide-se em multiplicados canais, formando muitas e grandes ilhas, cuja mor parte é habitada por povos ferozes e desconversáveis, a cujo número pertencem os que exclusivamente vivem, segundo se crê, de pescado e ovos de pássaros; e vai ter ao Oceano por muitas bocas.

    XI - Distando Cesar não mais de doze mil passos do inimigo, voltam na forma convencionada os embaixadores, que, encontrando-o em marcha, suplicam-lhe com muita instância, não avance mais. Não o podendo conseguir, pedem-lhe, mande ordem à cavalaria que marchava na vanguarda, para não atacar, e lhes dê faculdade de enviarem embaixadores, aos Ubios, sendo que, se os principais e o senado destes lhes confirmassem com juramento a promessa de recebê-los, fariam o que propunha Cesar; e solicitam o espaço de três dias para levá-lo a efeito. Bem via Cesar ser tudo isso um mero temporizar, para que com a delonga dos três dias lhes voltasse a cavalaria ausente; disse, todavia, que avançaria esse dia só quatro mil passos por amor da agua, e se apresentassem no seguinte em grande número, para ele conhecer do que lhe requeriam. Manda, entretanto, ordem aos prefeitos{14}, que tinham tomado a dianteira com a cavalaria, para não provocarem o inimigo, e, se acaso fossem provocados por este, sustentarem o ataque até ele chegar com o exército.

    XII - Mal porém avistam os inimigos nossa cavalaria constante de cinco mil homens, posto não fossem mais de oitocentos de cavalo, por não haverem ainda voltado os que tinham ido além Mosa forragear, precipitam-se in continenti sobre os nossos, que nada receiavam, por ser este um dia de tréguas a pedido dos próprios embaixadores Germanos, que pouco antes tinham deixado a Cesar, e introduzem entre eles a confusão e a desordem. Resistindo depois estes já ordenados, põem pé em terra a sua usança, e ferindo as barrigas dos cavalos aos nossos, que eram derribados, os convertem a fuga entrados de terror tal, que não pararam senão à vista de nosso exército, que vinha desfilando. Foram mortos neste combate setenta e quatro dos nossos, e entre eles um varão esforçadíssimo, Pisão o Aquitanio, de preclaríssima linhagem, cujo avô honrado com o título de amigo pelo Senado havia sido rei na sua cidade. Socorrendo este ao irmão envolvido pelos inimigos, conseguiu salvá-lo; mas, derribado do cavalo ferido, e defendendo-se valorosíssimamente, caiu por fim no meio da multidão hostil traspassado de muitas feridas. Ao observá-lo de longe, o irmão que já estava fora da refrega, correu a toda bride e oferecendo-se aos inimigos foi igualmente morto.

    XIII - Depois deste recontro entendia Cesar não dever mais ouvir embaixadores, nem aceitar propostas de quem com a paz na boca fazia guerra traiçoeira de emboscadas. Esperar porém que se aumentassem as forças ao inimigo com a volta de sua cavalaria para atacá-lo, reputava ser da última demência; e conhecedor por outro lado da inconstância dos Gauleses, via quanto crédito já tinham os inimigos num combate ganho com esses, a quem não convinha dar tempo para tomarem qualquer acordo. Firme neste presuposto, e comunicada a seus tenentes e questor a resolução em que estava de não demorar a batalha um só dia, sobrevem coisa mui apropositada; porquanto, usando da mesma perfídia e dissimulação, vieram no seguinte dia pela manhã os Germanos em grande número conjuntamente com seus principais e anciãos ter com ele aos arraiais, já para justificar-se, ao que diziam, de haverem no dia antecedente travado batalha com os nossos contra o convencionado, e o que eles mesmo tinham pedido, já para conseguir uma prorogação de tréguas por meio de enganos. Folgando de os ter em seu poder, manda Cesar prendê-los, tira as tropas dos quartéis e ordena à cavalaria, ainda aterrada da recente peleja, o vá seguindo na retaguarda.

    XIV - Ordenado o exército em três linhas e feita com rapidez uma marcha de oito milhas, chega à vista do campo inimigo, antes de poder ser sentido pelos Germanos. Aterrados subitamente a um tempo, quer pela celeridade de nossa vinda, quer pela ausência dos seus, sem espaço para deliberar, nem armar-se, ficam estes sem saber dar-se a concelho, se será mais conveniente ir ao encontro do inimigo ou defender o campo, ou buscar a salvação na fuga. Manifesta-se seu terror pelo frêmito e concurso. Incitados pela perfídia do dia antecedente, assaltam-lhes os nossos soldados o campo. Aí os que conseguem armar-se, resistem, por algum tempo, combatendo entre carros e bagagens; mas a restante multidão, meninos e mulheres, (pois tinham vindo e passado o Rim com todos os seus) entra a fugir a cada passo. Despede-lhes Cesar no encalço a cavalaria.

    XV - Ouvindo clamor na retaguarda, e vendo serem mortos os seus, atiram os Germanos com as armas, deixam as insígnias militares, e fogem do campo. Chegando ao confluente do Mosa e Rim já reduzidos por grande mortandade, e não tendo mais para onde fugir, lançam-se os que restam ao rio, e nele perecem assoberbados do terror, do cansaço, e da violência da corrente. Os nossos, inteiramente livres do temor de tamanha guerra, pois orçava por quatrocentos e trinta mil o número dos inimigos, recolhem-se aos arraiais sem perda de um só, e com bem poucos feridos. Dá Cesar aos que mandara prender, a faculdade de se retirarem. Receiando porém os suplícios e cruezas dos Gauleses, cujos campos haviam talado, imploram-lhe esses a graça de ficar com ele. Concede-lhes permissão de o fazerem.

    XVI - Concluída a guerra dos Germanos, resolve Cesar passar o Rim por muitos motivos. Era dos mais valiosos o querer que os Germanos, os quais via serem tão facilmente impelidos a passar-se à Galia, temessem também por suas coisas, sabendo que não só podia, mas ousava o exército do povo Romano transpor este rio, Acrescia ainda o ter-se a parte da cavalaria dos Usipetes e Tencteres, que atravessára o Mosa para forragear, e não havia assistido à batalha, acolhido, depois da fuga dos seus, além do Rim nas fronteiras{18} dos Sugambros{19}, a quem se unira. Mandando Cesar exigir dos Sugambros a entrega dos que lhe havia feito guerra a ele e à Galia, responderam esses: "Que era o Rim limite do império do povo romano; - e se Cesar não julgava justo passarem-se os Germanos à Galia contra a vontade dele, com que direito queria exercer jurisdição e soberania além Rim?" Os Ubios, porém, únicos dos Transrenanos, que tinham enviado embaixadores a Cesar, e haviam contraído com ele amizade, dando-lhe reféns, pediam encarecidamente: "Que lhes levasse auxílio, pois estavam sendo gravemente oprimidos pelos Suevos; - ou se os negócios da república lhe não permitissem fazê-lo, transportasse somente o exército à outra margem do Rim; - e já lhes seria não pequeno auxílio e esperança para o futuro; porquanto, depois de expulso Ariovisto e pelejada a última batalha, tão grande se tornara o nome de Cesar e tal a reputação de seu exército, ainda entre as nações mais remotas da Germania, que podiam estar em segurança só com a autoridade e aliança do povo romano." Prometiam grande número de embarcações para o transporte do exército.

    XVII - Pelas causas mencionadas determinara Cesar passar o Rim; mas fazê-lo em barcas nem reputava ser assás seguro, nem próprio da sua e dignidade do povo romano. Assim, posto que, por causa da largura, rapidez e profundidade do rio, oferecesse grande dificuldade o construir nele uma ponte, julgava todavia dever empreendê-lo, ou aliás não passar o exército. Tal era a estrutura da ponte que delineou. Mandava juntar, com intervalo de dois pés entre si, dois madeiros de pé e meio de espessura cada um, tanto acuminados por baixo, e proporcionados em comprimento a profundidade do rio. Introduzidos neles com máquinas e enterrados a pancadas de maço{20}, não perpendicularmente à maneira de pilares, mas com pendor e inclinação no sentido da corrente, mandava da mesma forma, a quarenta pés de distância, colocar da parte inferior, voltados contra a violência e ímpeto do rio, outros dois fronteiros a esses, juntos de igual modo. Estes quatro madeiros, em cujos vãos se entravava por cima outro transversal de dois pés de espessura, eram de cada lado atracados nas extremidades com duas fortes chapas de ferro, que vindo cravar-se na parte oposta, ficava a obra tão firme e tal, que quanto maior era a força da corrente, tanto mais se consolidava. Sobre travessões tais assentava todo o vigamento na direção de uma à outra margem do rio, e sobre aquele a contextura de barrotes e pranchas. E para mais segurança enterravam-se na parte inferior do rio botareus inclinados que, ligando-se à obra, lhe servissem de contra-forte para quebrar a violência da corrente, e bem assim outros, em pequena distância acima da ponte, os quais a serem impelidos pelos bárbaros troncos de árvores e navios para destruir a obra, a protegessem, diminuindo-lhes a força.

    XVIII - Concluída a obra dez dias depois que a madeira começara a ser transportada, verifica-se a passagem do exército. Deixando uma forte guarnição em cada uma das entradas da ponte, marcha Cesar para as fronteiras dos Sugambros. Chegam-lhe, no entanto, embaixadores de muitas cidades, pedindo paz e amizade, Responde-lhes benignamente, exigindo-lhes reféns. Os Sugambros porém mal souberam estar se construindo a ponte, tinham por conselho desses Tencteres e Usipetes, a quem deram acolheita, abandonado suas fronteiras, e fugido para os bosques e solidões, levando consigo quanto possuiam.

    XIX - Havendo-se demorado poucos dias nas fronteiras deles, depois de incendiar-lhes os povoados com os edifícios, e cortar-lhes os pães nos campos, retira-se Cesar para as dos Ubios, e assegurando-lhes auxílio, no caso de serem atacados pelos Suevos é pelos mesmos Ubios informado: "Que os Suevos, depois que por seus exploradores souberam estar se fazendo a ponte, convocado concelho à sua usança, mandaram por toda parte aviso aos seus, para emigrarem das cidades, depositarem filhos, mulheres e haveres nas selvas, e juntarem-se os que podiam pegar em armas num ponto central do território, onde convinha aguardar os Romanos, e dar-lhes batalha." Ciente de tudo, e reputando conseguidos os fins, porque resolvera passar o exército, quais eram, inspirar terror aos Germanos, castigar os Sugambros, libertar os Ubios da opressão, e ter com uma estada de dezoito dias além Rim feito assás para glória sua e utilidade da república, volta à Galia, e corta a ponte.

    XX - Restando pequena parte do estio, sendo que nestes lugares, por demorar toda Galia, ao setentrião, começam os invernos mui temporãos, empreendeu todavia Cesar passar a Britania; pois em todas as guerras dos Gauleses notava serem dali ministrados auxílios a nossos inimigos; e, quando a estação não fosse apropriada para fazer guerra, reputava ser já de grande utilidade somente o penetrar na ilha, observar-lhe os diversos habitantes, conhecer-lhe as localidades, os portos, as entradas; coisas essas quase inteiramente ignoradas dos Gauleses, Até então ninguém se arriscava a ir lá, a não serem mercadores; esses mesmos não conheciam dela mais que o marítimo, e as regiões, que olham para as Galias. Assim, por mais que se informasse de bom número de mercadores que convocara, nem podia saber com certeza quão grande era a ilha, nem quais e quantas nações a habitavam, nem por que modo guerreavam, ou que leis e costumes tinham, nem quais os seus portos mais acomodados para receber uma armada de navios maiores.

    XXI - Para conhecê-lo, antes de efetuar a jornada, julga conveniente ali enviar primeiro com uma galé a Gaio Voluseno, ao qual determina que, examinadas as coisas se torne a ele quanto antes. Dirige-se depois com todas as tropas aos Morinos, por ser o trajeto deste ponto para Britania o mais curto; e aí manda juntarem-se os navios de todas as regiões vizinhas, bem como a armada, que havia feito construir no precedente estio para a guerra dos Venetos. Entrementes, conhecida e comunicada pelos mercadores esta sua resolução aos Britanos, chegam-lhe embaixadores de muitas cidades da ilha, prometendo-lhe reféns e obediência. Ouvindo-os e tratando-os benignamente, exorta-os a permanecerem no propósito e despedindo-os para os seus, com eles envia juntamente a Comio, que fizera rei dos Artebrates vencidos, e cujo valor e prudência prezava, criatura sua, e mui acreditado naquelas paragens, recomendando-lhes visite quanto mais cidades e as disponha a aceitar a aliança dos Romanos, assegurando-lhes que brevemente iria ele em pessoa visitá-las. Voluseno, observados os lugares da costa, quanto lhe foi possível, pois não ousava sair da galé, nem confiar-se a tais bárbaros, volta a Cesar dentro de cinco dias, e relata-lhe quanto viu e notou.

    XXII - Emquanto Cesar se detem nestes lugares, aguardando os navios, chegam-lhe embaixadores de boa parte dos Morinos, escusando-se de haver por inexperiência e ignorância de nossos costumes feito anteriormente guerra aos Romanos, e prometendo cumprir quanto lhes ele ordenasse. Resultando vir muito a propósito tal incidente, pois, nem lhe convinha deixar inimigos na retaguarda, nem podia entrar em campanha por causa da estação, nem entendia dever antepor ocupações de pouco momento à jornada da Britania, exige-lhes um grande número de reféns; e apresentados estes, aceita-lhes a submissão. Colegidos e reunidos oitenta navios de carga, quantos julgava suficientes para transportar duas legiões, distribui o que tinha de navios de guerra, por seu questor, seus tenentes, e pelos prefeitos. Sobrando ainda dezoito navios de carga, que, em razão de ventos ponteiros, se conservavam a oito mil passos deste lugar, sem poder demandar o mesmo porto, os destina ao transporte da cavalaria. Aos seus tenentes Quincio Titurio Sabino e Lucio Aurunculeio Cota encarrega-os de levarem o resto do exército aos Menapios, e cantões dos Morinos, donde lhe não tinham vindo embaixadores; ao seu tenente Publio Sulpicio Rufo manda-o guardar o porto com guarnição suficiente.

    XXIII - Ordenado isto, e obtida monção favorável, leva ferro quase a terceira vela da noite, mandando marchar a cavalaria para o porto ulterior, aí embarcar e segui-lo. Não empregando esta assás diligência, quase pela quarta hora do dia abica ele só com os primeiros navios na Britania, onde viu cobertos de tropas em armas todos os oiteiros. A natureza do terreno era tal, que os tiros feitos das alturas alcançavam a praia. Reconhecendo não ser o lugar asado para um desembarque, conserva-se sobre ferro até à hora nona, a espera do resto dos navios. Convocando neste meio tempo a concelho os seus tenentes e os tribunos dos soldados, expõe-lhes quanto colhera de Voluseno, bem como quanto convinha pôr por obra, e recomenda-lhes que, conforme o exigir o plano do ataque, e sobre tudo a guerra marítima, tão cheia de súbitos e imprevistos acidentes, obrem o mais a seu alvitre segundo a ocasião. Dissolvido o concelho, e com o favor do vento e maré levadas âncoras ao sinal dado, vai surgir com toda armada a sete mil passos deste lugar em litoral aberto e plano.

    XXIV - Mas os bárbaros, conhecido o intento, mandam diante a cavalaria, com os carros de combate, de que faziam grande uso nas batalhas, e seguindo com o resto das tropas, opõem-se ao desembarque dos nossos. Era neste a maior dificuldade a vencer o demandarem os navios muita água por alterosos, e o terem os soldados de, sem conhecimento local, com as mãos impedidas, e sob o grave peso das armas, saltar a um tempo água, firmar-se no meio das vagas, e pelejar com os inimigos, que, com membros livres e perfeito conhecimento dos lugares, faziam tiros ousadamente, e picavam contra nós os cavalos adestrados. Aterrados com isto, e sem prática alguma de semelhante gênero de peleja, não mostravam os nossos o mesmo alvoroço e ardor, de que costumavam possuir-se nos combates a pé firme.

    XXV - Ao notá-lo, ordena Cesar que as galés, cuja forma era desusada para os bárbaros, e o movimento mais pronto e fácil, se destaquem alguma coisa dos navios de carga, e postando-se contra o flanco descoberto dos inimigos, a tiros de fundas, setas e tormentos, os repilam e desalojem. Foi isso de grande utilidade aos nossos; porquanto os bárbaros, aterrados já com a figura dos navios, já com o mover dos remos, já com o desusado jogar dos tormentos, retêm-se e começam de recuar um pouco. E hesitando ainda nossos soldados, principalmente por amor da profundidade do mar, o porta-águia da decima legião, suplicando aos deuses lhe convertam o arrojo em proveito da mesma legião: "Saltai à agua, camaradas, disse, se não quereis entregar a águia aos inimigos. Quanto a mim farei por certo o que devo à república e ao meu general." E ao proferir estas palavras, atira-se do navio água, e vai dirigindo a águia para os inimigos. Estimulando-se então entre si a impedir uma tal deshonra, saltam do navio todos os soldados. Observando-os dos navios vizinhos e seguindo-lhes o exemplo, marcham também os demais aos inimigos.

    XXVI - De ambas as partes se combate renhidamente, Os nossos, todavia, por não poderem ordenar-se, nem permanecer firmes, nem seguir seus estandartes, agregando-se ao primeiro deparado, à medida que iam saltando dos navios, andavam sobremodo perturbados; os inimigos, ao contrário, que conheciam todos os secos, como viam sairem alguns dos navios destacadamente, picavam contra esses os cavalos, e os atacavam quando embaraçados, cercando muitos a poucos, e fazendo-lhes tiros pelo flanco aberto quando aglomerados. Ao observá-lo manda Cesar encher de soldados as lanchas das galés, assim como as mexiriqueiras da armada e levar socorro aos que via em aperto. Mal firmam pé em terra, arremetem os nossos contra os inimigos, e os rompem, pondo-os em fuga, mas sem poder ir-lhes no encalço, por não haver a cavalaria conseguido fazer o trajeto e aportar à ilha. Nesta expedição foi só o que faltou à antiga fortuna de Cesar.

    XXVII - Derrotados na batalha, mal chegaram a recobrar-se da fuga, deputaram a Cesar embaixadores a propor pazes, comprometendo-se a dar-lhe reféns, e executar quanto ordenasse. Com os embaixadores veiu juntamente o Artrebate Comio, que acima dissemos haver sido por Cesar mandado diante à Britania. Enviado em caráter de orador para levar as instruções do general, prenderam-no os bárbaros logo ao desembarcar, carregando-o de cadeias; puseram-no em liberdade, depois da batalha; e no propor das pazes lançaram à conta da multidão toda culpa do atentado, suplicando indulto para o erro cometido. Queixando-se de lhe haverem feito guerra sem motivo, sendo que por seus embaixadores lhe tinham de próprio motu mandado pedir paz ao continente, declarou nada obstante Cesar que concedia o perdão do erro, e exigiu-lhes reféns. Destes deram logo parte, prometendo entregar em poucos dias o resto que viria de paragens mais distantes. Mandaram, no entanto, voltar os seus aos campos; e concorrendo de diversos pontos, começaram os cabeceiras do povo de recomendar-se a Cesar a si e suas cidades.

    XXVIII - Assentada por esta forma a paz quatro dias depois que se chegara à Britania, largaram do porto superior com vento brando os dezoito navios que, segundo fica dito, transportavam a cavalaria. Aproximavam-se já da Britania, e eram avistados dos arraiais, quando sobreveio de súbito tamanha tormenta, que nenhum deles pode seguir derrota, impelidos uns para o mesmo lugar, donde haviam partido, e outros para a parte inferior da ilha, jacente ao pôr do sol, onde correram grande risco de perder-se; porque, assoberbados por vagalhões quando sobre ferro, viram-se em noite tempestuosa forçados a fazer-se ao largo, e a demandar o continente.

    XXIX - Aconteceu ser na mesma noite lua cheia, dia das maiores marés no Oceano; o que era dos nossos ignorado. Assim, não só a um tempo a maré enchia as galés em que Cesar transportara o exército, e que varara em terra, mas também a tempestade destroçava os navios de carga, que estavam ancorados, sem terem os nossos meio de os marear, nem socorrer. Ficando dèspedaçados muitos deles, e os mais sem amarras, nem âncoras e aparelhos, inúteis para a navegação, houve, como era de crer, grande consternação em todo o exército. Porquanto nem nos restavam outros navios para reconduzir-nos e faltava tudo o que era necessário para os reparar; acrescendo que, por se julgar conveniente passar o inverno na Galia, não havia feito provisão de trigo para passá-lo nestes lugares.

    XXX - Em vista disto, os caudilhos Britanos, que tinham vindo procurar a Cesar conferenciam entre si; e vendo não só faltarem aos Romanos cavalaria, navios e bastimentos, mas, avaliando também o pequeno número de soldados pelo acanhado dos arraiais, os quais eram ainda menores por haver Cesar transportado as legiões sem bagagens, assentam em rebelar-se para tolher-nos o provimento de trigo e vitualhas, prolongando a campanha até o inverno, porque vencendo-nos ou cortando-nos regresso. ninguém mais, pensavam eles, iria à Britania atacá-los. Assim, rebelando-se de novo, entram a retirar-se aos poucos dos arraiais, e a apelidar os seus dos campos.

    XXXI - Cesar, posto que lhes não conhecia os projetos, contudo, já pelo destroço de seus navios, já por terem eles suspendido a entrega dos reféns, suspeitava haver de realizar-se o que aconteceu. Assim, preparava recursos para todas as eventualidades, seja passando quotidianamente trigo dos campos para os arraiais, seja reparando com a madeira e o cobre dos arruinados os navios que lhe restavam, seja transportando do continente o que era para isso mister. Desta arte, pondo os soldados a maior diligência em tudo, conseguiu que exceto doze perdidos, todos os mais navios ficassem em estado de navegar.

    XXXII - Enquanto isto se passa, indo como de costume a forragear uma das duas legiões, denominada sétima, sem haver até então suspeita alguma de guerra, permanecendo parte dos insulares nos campos, e vindo outros a miude aos arraiais, os que estavam de guarda às portas do campo, participam a Cesar avistar-se maior nuvem de pó, que de ordinário, para aquela parte aonde avançara a legião. Suspeitando o que era, isto é, terem os inimigos empreendido nova tentativa de ataque, leva Cesar comsigo contra aquela parte as coortes que estavam de guarda às portas, ordenando que das restantes duas as substituissem neste serviço e as demais se armassem e o seguissem. Adiantando-se um pouco dos arraiais, observa acharem-se os nossos assoberbados de inimigos, sustentando-se com dificuldade, e a legião cerrada, exposta a um chuveiro de tiros dirigidos de todos os lados. Porquanto, ceifado o trigo de todas as partes menos uma, suspeitando viriam os nossos para este lugar, como aconteceu, e escondendo-se nos bosques durante a noite, caem os inimigos de improviso sobre os nossos, quando dispersos, e depondo as armas, se ocupavam em ceifar, matam-lhes alguns, e introduzem a confusão nos restantes mal ordenados, cercando-os com sua cavalaria e carros de guerra.

    XXXIII - Eis a maneira como pelejam dos carros. Correm com eles a princípio por toda parte, atirando dardos, e desordenando as mais das vezes as fileiras hostis só com o terrorizar dos cavalos e estrepitar das rodas; introduzindo-se depois pelos esquadrões de cavalaria, saltam dos carros e combatem a pé. Os cocheiros no entanto retiram-se aos poucos da refrega, e colocam os carros de modo que, quando se vêm apertados pelos inimigos, têm os essedários pronta retirada para os seus. Assim apresentam eles nas batalhas a mobilidade de cavaleiros com a firmeza de peões e tanto se adestram com o uso e exercício quotidiano, que nas mesmas ladeiras e precipícios habituam-se a conter os cavalos a desfilada, governá-los com facilidade e desviá-los a correr pelo temão, firmar-se no jugo, e tornar dali aos carros com rapidez extrema.

    XXXIV - Aos nossos desordenados com este súbito cometimento socorre Cesar mui a propósito; porquanto, com a vinda dele, o inimigo cessa de atacar; os nossos recobram-se do terror. Julgando, depois disto, inoportuno provocar o inimigo e combatê-lo, conserva-se em armas no seu posto, e ao cabo de algum tempo, reconduz as legiões a quartéis. Enquanto isto se passa, e estão os nossos ocupados, retiram-se os insulares, que trabalhavam nos campos. Por muitos dias contínuos sucedem-se temporais, que retêm os nossos nos arraiais, e vedam ao inimigo o agredi-los. Neste comenos expediam os bárbaros para toda parte emissários sobre emissários, que propalassem qual era o pequeno número dos nossos, e demonstrassem quanta proporção se lhes oferecia a todos de fazerem presa, e libertarem-se para sempre do jugo, expulsando os romanos dos arraiais. Reunida por este meio grande multidão de peonagem e gente de cavalo, vêm, afinal, sobre os arraiais.

    XXXV - Posto que via Cesar haver de acontecer o mesmo, que nos dias precedentes, serem os inimigos rechaçados e evitarem o perigo com a fuga, contudo, tendo conseguido uns trinta de cavalo, que consigo transportara o Artrebate Comio, pouco antes mencionado, ordena as legiões em batalha em frente dos arraiais. Travada a peleja, não podem os inimigos sustentar por muito tempo o ímpeto dos nossos, e voltam costas. Seguindo-os, quanto lhos permitem a carreira e as forças, matam os nossos a muitos deles; depois, destruídas e incendiadas as habitações em largo espaço, recolhem-se aos arraiais.

    XXXVI - No mesmo dia vieram a Cesar embaixadores da parte dos inimigos a pedir pazes. Duplicou-lhes Cesar o número de reféns, dantes exigido, e ordenou lhe fossem estes levados ao continente, porque, aproximando-se o equinócio, não julgava dever arriscar-se a navegar de inverno em navios mal reparados. Havendo deparado monção favorável, fez-se de vela pouco depois da meia noite e chegou ao continente com todos os navios a salvo. Destes, dois de carga não puderam tomar os mesmos portos, que os outros, e foram surgir um pouco mais abaixo.

    XXXVII - A trezentos soldados que haviam desembarcado destes navios, e se dirigiam aos arraiais, cercam-n’os a esperança de presa e em número não mui avultado a princípio os Morinos que Cesar deixara pacificados, quando partiu para Britania, e intimam-lhes que deponham as armas, se não queriam morrer. Defendendo-se eles formados em orbe, aglomeram-se logo ao clamor hostil cerca de uns seis mil homens. A esta notícia despede Cesar dos arraiais toda a cavalaria em auxílio aos seus. Entrementes, sustentam os nossos o ímpeto dos inimigos pelejando valorosíssimamente por mais de seis horas, e matam a muitos deles, recebendo poucas feridas. Mas mal se mostrou nossa cavalaria, voltam os inimigos costas, atirando com as armas. Faz-se neles grande mortandade.

    XXXVIII - No seguinte dia expede Cesar a Tito Labieno com as legiões chegadas da Britania contra os Morinos rebelados, que não tendo aonde se refugiassem por haverem secado os paúes, que no precedente ano lhes serviram de valhacouto, caem quase todos em poder de Labieno, Mas os seus tenentes Quincio Titurio e Lucio Cota, que tinham marchado com as legiões para as fronteiras dos Menapios, depois de lhes haver talado a campanha, cortado o trigo, e incendiado as habitações, por se terem os inimigos acoutado em bosques densíssimos, regressam a ele Cesar, que coloca todas as legiões em quartéis de inverno entre os Belgas. Duas cidades da Britania unicamente lhe mandam ali reféns, transcurando as demais fazê-lo. Por estas expedições decreta o Senado em vista das cartas de Cesar vinte dias de suplicações.
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    Item Reviewed: Guerra da Gália - Livro IV Rating: 5 Reviewed By: Pbsena Sena

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