Odisséia de Homero - Livro XIII - Tifsa Brasil
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    13 de junho de 2018

    Odisséia de Homero - Livro XIII

    LIVRO 
    Calam-se todos, em deleite absortos,
    Pela ampla sala opaca. E Alcino: “Ulisses,
    Pois que vieste a meu palácio aêneo,
    Teus males findos creio e teus errores.
    5 Vós que a branda harmonia e o vinho de honra
    Gozais em meus festins, às ricas vestes
    E ouro acendrado n’arca sua inclusos,
    Dádivas dos senhores, por cabeça
    Grandes bacia e tripode ajuntai-me;
    10 Já que sós não bastamos, brinde o povo
    Conosco à larga este hóspede bizarro”.
    Aprovou-se, e a dormir se retiraram.
         No arrebol da manhã de róseos dedos,
    Levando o forte bronze, à nau concorrem;
    15 Vindo Alcino em pessoa, nas bancadas,
    Para a folgo remarem, dispõe tudo.
    Ao paço tornam, do banquete cuidam:
    O rei mata ao nimboso onipotente
    E as táureas coxas torra; à mesa alegres,
    20 O canto logram do acatado vate.
    Ulisses, para o Sol volto a miúde,
    No ocaso o quer, o embarque apetecendo:
    Como a sombria tarde e a ceia anela
    Quem, já de joelhos frouxos, pelo alqueive
    25 Regeu de negros bois no arado a junta
    O dia todo; a luz tal vê murchada
    Ulisses, que aos marítimos Feaces
    E ao rei perora: “Ó maioral de povos,
    Despedi-me e libai; vós outros, salve!
    30 Cheio o meu voto, com presentes parto,
    De que o Céu por mão vossa enriqueceu-me
    Ache eu no lar a esposa irrepreensível
    E incólumes os meus. Ficai-vos todos
    Satisfeitos com filhos e consortes;
    35 Para impedir o público infortúnio,
    Toda virtude os numes vos concedam.”
         Louvando o siso do hóspede facundo
    Que despedi-lo cumpre a eito votam;
    Alcino o arauto afronta: “Na cratera
    40 Mescles, Pontono, do licor ardente;
    Em despedida a Júpiter brindemos.”
         Mescla Pontono e distribui o vinho:
    Libam do assento aos imortais beatos;
    Mas Ulisses divino em pé, depondo
    45 A bicôncava taça em mãos de Areta,
    Rápido exclama: “Ó grã rainha, vale!
    Parto; mas sê ditosa com teus filhos,
    Teu povo e o nobre Alcino, até que venham,
    Humana condição, velhice e morte.”
    50  Aqui, salva a soleira: avante o arauto
    Condu-lo à praia; à voz de Areta, as servas
    Uma a túnica bela e o manto puro,
    Outra uma arca tapada, enfim terceira
    O pão leva consigo e roxo vinho.
    55 Ledos a carga e o mantimento arrumam,
    Cama de branco linho e moles colchas
    Alastram no convés, onde silente
    O herói deitou-se; da furada pedra
    Solto o calabre, em renque a espuma agitam.
    60 Enleiam-se as pálpebras num sono
    Doce e quieto, semelhante à morte.
    Como, incitada pelo açoute, o espaço
    Mede orgulhosa máscula quadriga,
    Das vagas ao rumor desfecha a popa;
    65 Em seu vôo segura, preterira
    Ao gavião, levíssima das aves.
    O Ítaco rei, no tento igual aos deuses,
    Molestado em procelas e batalhas,
    Esquece tudo em plácido sossego.
    70 Abordou-se ao luzir a estrela d’alva,
    Núncia a melhor da rubicunda aurora.
         Tem no agro de Ítaco o marinho Forco
    Porto, que a prumo cabos dous estreitam
    E de ventos estrídulos defendem,
    75 Onde vaso alteroso escusa amarras.
    Espalmada, no fundo, uma oliveira
    Gruta ensombra, de Náiades sacrário:
    Ânforas há lapídeas e crateras;
    Sussurrantes abelhas melificam;
    80 Bancos de pedra encerra; as ninfas tecem
    Maravilhosos purpurinos panos;
    Possui água perene; dupla a entrada,
    Uma ao norte acessível aos humanos,
    Outra ao sul para os deuses. Meio impelem
    85 De voga o lenho os práticos Feaces;
    Adormecido Ulisses desembarcam,
    Nas mesmas colchas e lençóis envolto;
    À sombra da oliveira os dons colocam,
    À larga obtidos por mercê de Palas,
    90 Fora da estrada, a fim que não lhos toque,
    Antes que ele desperte um viandante.
    Isto acabado, para a Esquéria voltam.
         Das ameaças ao divino Ulisses
    Lembrado, ao grande irmão sondou Netuno:
    95 “Como hão de honrar-me, Júpiter, os deuses,
    Se homens de mim provindos me desonram?
    Sem proibir de Ulisses o regresso,
    Que tu juraste mesmo, inda eu cuidava,
    Antes de recolher-se, escarmentá-lo;
    100 Mas puseram-no em Ítaca os Feaces,
    Meu reino atravessando, e o cumularam
    De ouro e bronze e tecidos, quanto nunca
    Salvo de Ílio trouxera e teve em sorte.”
         Respondeu-lhe o Nimbífero: “Hui! Netuno,
    105 Desprezarem-te os numes! Árduo fora,
    Que és mais velho e prestante e prepotente.
    Se um mortal altanado não te adora,
    Puni-lo a teu prazer te cabe sempre.”
         De novo o Enosigeu: “Fá-lo-ei, se o queres;
    110 De irar-te, anuviador, me abstenho e fujo:
    Para que mais ninguém transportar ousem,
    Destruída na volta a nau Feácia,
    À cidade oporei montanha ingente.”
         E Júpiter: “Irmão, da praia quando
    115 Olhar curiosa a turba a nau que abica,
    Trocada em penha, a forma lhe conserves,
    Futuro assombro, e essa montanha eleves.”
         Busca Netuno a Esquéria, e quedo aguarda
    A flutívaga nau, que às bordas voa;
    120 A mão carrega-lhe e a converte em rocha,
    As raízes lhe afunda e se retira.
    E a marinheira gente, uns para os outros:
    “Ai! quem prendeu no pego, à vista nossa,
    A nau que ao porto alígera aproava?”
    125 Assim discorrem; mas arenga Alcino:
    “Deuses, verificou-se o triste agouro!
    Vaticinou meu pai que, por valermos
    Aos náufragos, Netuno em ira ardendo
    Pulcro baixel à volta abismaria,
    130 De alto monte a cidade circundando.
    Cumpriu-se tudo; agora, obedecei-me:
    Ninguém mais deste porto conduzamos;
    Sacrifiquemos touros doze eleitos,
    A fim que piedoso o rei Netuno
    135 Desse monte a cidade nos preserve.”
    Com medo eis logo as reses preparavam,
    Da ara em torno deprecam Neptunina
    Dos Feaces os príncipes e cabos.
         Abre os olhos na pátria o divo Ulisses.
    140 Ausente há muito, a estranha, pois de névoa
    Palas Dial o cinge, para ignoto
    O aconselhar, nem ser da esposa e amigos
    E dos mais cidadãos reconhecido,
    Sem dos procos vingar-se; pareceu-lhe
    145 Diverso tudo, o acomodado porto,
    Os extensos caminhos, os penedos,
    As verdejantes árvores; desperto,
    Olha em cerco, de palmas fere as ancas,
    E lamenta e se carpe: “Ah! nestas plagas
    150 Gente bárbara mora injusta e fera,
    Ou pia e hospitaleira? onde é que vago?
    Onde esconder os meus tesouros posso?
    Estivesse na Esquéria, e me asilara
    Outro brioso rei, que boa escolta
    155 Me daria ao trajeto. Ignoro o meio
    De guardar estes bens, que não mos roubem.
    Certo nem eram probos nem cientes
    Os que a Ítaca amiga prometeram
    Levar-me a salvo e aqui me depuseram:
    160 Desagrava-me, ó Júpiter, que amparas
    Os suplicantes e a traição condenas.
    Mas compute-se tudo, examinemos
    Se eles de qualquer dom me desfalcaram.”
         Já trípodes, bacias e ouro conta,
    165 Conta os belos tecidos: nada falta.
    Por Ítaca ele chama, Ítaca chora
    Pelas praias do mar circunsonante,
    Quando no vulto lhe aparece Palas
    De um jovem ovelheiro, delicado
    170 Como os filhos dos reis: pelico airoso
    Aos ombros traça; aos pés chapins luzentes,
    Floreia um dardo. Ulisses a encontrá-la
    Corre contente, rápido profere:
    “Pois me ocorres primeiro, amigo, salve!
    175 Guarda-me estas riquezas e a mim próprio.
    Como a nume to imploro de joelhos;
    Declara-me que terra e povo é este:
    Por acaso ilha amena, ou de gleboso
    Continente um bojante promontório?”
    180 A Olhicerúlea: “És, hóspede, insensato,
    Ou de país remoto. Que perguntas?
    É conhecido o nosso dos que habitam
    Para o noturno ocaso e a roxa aurora:
    Alpestre e avesso a poldros, pouco vasto,
    185 Viceja em trigo e vinha, que fecunda
    Orvalho ou chuva; grato a bois e a cabras,
    Tem várias selvas e perenes águas.
    De Ítaca o nome em Tróia alto ressoa,
    Em regiões da Acaia mui distantes.”
    190 Folga o divino herói de estar na pátria,
    Que do Egíaco a filha anunciava;
    Discursa presto, com desvio e austúcia,
    Ardis sempre no peito revolvendo:
    “De Ítaca ouvi na transfretana Creta,
    195 Larga e longínqua. Aos meus deixando parte,
    Fugi com estes bens, lá tendo morto
    O régio garfo Orsíloco ligeiro,
    Que no curso vencia os bravos Cressos;
    Pois quis privar-me dos despojos de Ílio,
    200 Ganhos com tanta lida nas batalhas
    E a tanto mar escapos, de ciúmes
    Que eu, a outros mandando, às ordens nunca
    Do genitor Idomeneu servisse.
    Tendo um sócio, no campo numa espera,
    205 Orsíloco atravesso ao pé da estrada:
    Oculta a morte pela opaca noite,
    Ninguém por ela deu. Porção da presa
    A ganância fartou de nau Fenícia,
    Que me largasse em Pilos ou na diva
    210 Élide Epéia. O rijo oposto vento
    Afastou-nos do rumo, e constrangidos,
    Não por fraude, arribamos pelo escuro;
    No posto aqui saltando, sem tratarmos
    De preciso repasto, nos deitamos.
    215 Lasso peguei no sono; eles, na areia
    Depositadas as riquezas minhas,
    A Sidônia se foram populosa:
    Triste ah! fiquei na praia abandonado.”
         A Glaucópide rindo a mão lhe afaga,
    220 Disfarçada em mulher vistosa e guapa,
    Ilustre no lavor: “Sagaz e astuto,
    Só te excedera um deus! matreiro e fino,
    Mesmo exerces na pátria os falsilóquios,
    Dolos e ardis, que desde o berço amaste.
    225 Não uses tu comigo de rodeios:
    Se aos mortais no juízo te avantajas,
    Eu me avantajo aos deuses. Desconheces
    Tritônia, que te assiste em dúbios transes?
    Eu te fiz agradável aos Feaces;
    230 Agora venho consultar contigo,
    E o tesouro esconder que ao povo egrégio
    Inspirei te doasse. Em teu palácio
    Olha que inda é forçoso padeceres:
    A varão nem mulher tu não descubras
    235 O teu regresso; tácito suportes
    A própria dor e injúrias e insolências.”
         Prudente Ulisses: “Deusa, ao mais sabido
    Conhecer-te é custoso em tantas formas.
    Sei que nas Tróicas lides me escudavas;
    240 Mas dês que, rasa a Príamo a cidade,
    Um deus nos dispersou, nunca a nau minha
    Te viu, Dial progênie, em meus trabalhos:
    De alma chagada, errei de praia em praia,
    Até que o Céu de mim compadeceu-se,
    245 Depois que entre os Feaces opulentos
    Me confortaste enfim, me foste guia.
    Eu não me julgo em Ítaca risonha;
    Vago, e me iludes: por teu pai suplico,
    Declara-me se estou na pátria amada.”
    250 “És, volve a deusa, um poço de suspeitas!
    Facundo e sábio, de altaneiro engenho,
    De ti não me descuido no infortúnio.
    Quem não ardera, após tamanha ausência,
    Por ver seus lares e mulher e filhos?
    255 Mas nada ouvir te agrada, sem provares
    A constância da esposa, que em retiro
    Dia e noite lamenta e curte mágoas.
    Seu temor nunca tive, sim previa
    Que só dos teus voltasses. A Netuno
    260 Não quis opor-me, tio meu, que irou-se
    Por cegares seu filho Polifemo.
    Ítaca vou mostrar-te, não duvides:
    De Forco é este o porto; jaz no fundo
    O antro e a basta oliveira, estância amável,
    265 Das Náiades sacelo, onde lhes deves
    Sacrificar perfeitas hecatombes;
    Aquele monte é Nerito selvoso.”
         Dissipa a deusa a névoa; alegre a terra
    O Ítaco reconhece, o almo chão beija,
    270 E exalça as palmas e depreca às ninfas:
    “Progênitas de Jove, eu não pensava
    Rever-vos mais; contente vos saúdo,
    Mil dons hei de, como antes, ofertar-vos:
    Assim de Jove a predadora prole
    275 Me consinta viver, medrar meu filho!”
         Palas então: “Sossega, ânimo cobra.
    No antro guarda-se tudo, e resolvemos
    O melhor.” Eis penetra os escondrijos;
    O herói carreta o ouro e o cobre e as roupas;
    280 E, estando a bom recado esses presentes,
    Ela aos portais arrima grossa pedra.
         À raiz ambos da oliveira santa,
    No castigo dos procos meditavam,
    E Palas começou: “Divo Laércio,
    285 De carregar o modo consideres
    A mão nos insolentes que um triênio
    Há que em teu paço imperam, dadivosos
    A casta mulher tua requestando.
    Ela porém suspira-te e pranteia,
    290 E um por um entretendo com promessas,
    A todos esperança e embai a todos.”
         “Céus! acode o Laércio, em meu palácio
    O fado me aguardava de Agamemnon,
    Se não me houvesses, déia, esclarecido!
    295 Eia, a maneira tece de vingar-me;
    Está comigo, minha audácia aumenta,
    Qual a soberba Tróia ao suplantarmos.
    Se me ajudas, augusta protetora,
    Eu basto só contra varões trezentos.”
    300 Presto a Glaucópide: “Eu serei contigo
    No executar-se a empresa; o vasto solho
    Conto que o sangue e cérebro enodoem
    De cada um dos vis que os bens te comem.
    Vou, para ignoto seres, enrugar-te
    305 A lisa pele dos flexíveis membros,
    Sumir-te a loura coma, em despiciendos
    Andrajos envolver-te, e aos vivos olhos
    O brilho embaciar, para que a todos,
    Mesmo a filho e mulher, pareças torpe.
    310 Tu, busca o teu porqueiro, amigo vero,
    Que a Telêmaco e à mãe fiel tem sido;
    Entre os marrões o encontrarás, da penha
    Do Corvo em torno e da Aretusa fonte,
    Onde, cevados com macia glande
    315 E água lodosa, gordurentos viçam:
    Indaga dele o mais, enquanto a Esparta
    Ando-me em formosuras afamada,
    A teu filho chamar, que novas tuas
    Foi recolher de Menelau na corte.”
    320 “Por que, argúi o herói, pois tudo sabes,
    Não lho disseste? queres que erradio
    Pelo indômito pélago padeça,
    E que outros a substância lhe consumam?”
         Minerva retorquiu: “Não te inquietes;
    325 Eu mesma o encaminhei; porque destarte
    Bem reputado seja: ora em seguro
    Se acha do Atrida na abundante casa.
    Almejando matá-lo antes que aborde,
    Armam-lhe os procos numa nau ciladas;
    330 Mas tenho que primeiro a terra oprima
    Alguns dos que a substância lhe consomem.”
         Aqui, de vara o toca: a pele toda
    Se lhe encarquilha, escalva-se a cabeça,
    Olhos murcha; um decrépito afigura.
    335 Deita-lhe um mau gabão, túnica em tiras
    Suja e tisnada, e espólio nu de corça;
    Dá-lhe um bordão, com torsos loros preso
    Roto a lugares desmarcado alforje.
    Isto enchido, apartaram-se, e Minerva
    340 Endereçou-se à grã Lacedemônia.

    NOTAS AO LIVRO XIII
    35-36 — Interpretam este lugar assim: “Os deuses vos ornem de todas as virtudes e vos livrem das calamidades públicas”. O pensamento é mais digno da sabedoria de Ulisses; com o texto à vista, parece-me que se dá um conselho aos reis dos Feaces: por boca do herói, o poeta reconhece que o mal público vem da falta de virtudes nos grandes, ou que os maus governos é que excitam as revoluções, para falarmos a linguagem moderna.
    86-87 — Na opinião de Aristóteles, seria esta inverossimilhança intolerável, se as belezas do estilo não fizessem esquecer a pequenez da invenção. Sem embargo da sentença do oráculo da antiguidade, faria algumas observações a favor do poeta. A inverossimilhança consiste em desembarcarem a Ulisses dormindo sem que ele despertasse. Advirta-se porém que, depois de quebrar-se o navio onde longamente padeceu, depois de nadar quase três dias com o auxílio da cintura de Leucotéia, depois de escalavrar as mãos nos rochedos, ainda não tinha assaz reparado as forças perdidas: o sono mais salutar foi o que dormiu no bosque antes de lhe aparecer Nausica; porquanto na cidade, onde esteve dois dias, pouco descansou, levando quase todo o tempo a narrar suas aventuras, o que por certo não lhe diminuía o cansaço. Necessariamente, ao chegar ao navio dos Feaces, devera cair em profunda modorra. Tenho visto mudarem-se muitos adormecidos, principalmente meninos, sem darem por si; e o que a idade faz nos meninos, podia fazer em Ulisses a extraordinária fadiga. Se Aristóteles tivesse passado por iguais trabalhos, talvez não teria despertado.
    295 — Homero, para exaltar o herói, diz acima que a deusa da sabedoria com Ulisses consultou; mas este, por veneração para com Minerva, nunca se mete a par, antes pede-lhe sempre o seu parecer e proteção. M. Giguet verteu: “Voyons comment nous punirons ces audacieux”. O que era permitido a Homero por exageração poética, isto é, pôr o mortal conjuntamente a deliberar com a deusa, não era permitido a Ulisses, que nunca ali falou no dual nem no plural; e a imodéstia ou atrevimento, que se lhe empresta, é em contradição com as habituais cautelas do astuto.
    317-340 — Constâncio dá por antiquado o verbo andar-se e manda ver andar; foi um descuido: ele mesmo diz com acerto que se com os verbos absolutos indica espontaneidade; portanto, andar não é o mesmo que andar-se, do uso de clássicos nossos. — No último verso, omiti que Minerva partiu para chamar a Telêmaco, e digo só que partiu para Esparta, porque pouco atrás ela afirmou que a sua ida era para chamá-lo. Estas supressões, que me permito quando não ofendem a clareza, tendem a tornar concisa a minha tradução, e o estilo asiático de Homero a isto se presta sem inconveniente; supressões que não se podem fazer em Lucrécio, Virgílio, Horácio, Pérsio, Dante, nem em Sá de Miranda e Ferreira, e em poucos outros poetas que só dizem o bastante, e onde cada palavra oferece uma nova ideia. O leitor que, neste e em muitos lugares, me julgar em falta, não decida sem consultar os antecedentes ou subsequentes. Ir para o índice do livro.
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