A Odisséia de Homero - Livro I - Tifsa Brasil
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    21 de maio de 2018

    A Odisséia de Homero - Livro I

    Canta, ó Musa, o varão que astucioso,
    Rasa Ílion santa, errou de clima em clima,

    Viu de muitas nações costumes vários.
    Mil transes padeceu no equóreo ponto,
    5 Por segurar a vida e aos seus a volta;
    Baldo afã! pereceram, tendo insanos
    Ao claro Hiperiônio os bois comido,
    Que não quis para a pátria alumiá-los.
    Tudo, ó prole Dial, me aponta e lembra.
    10 Da guerra e do mar sevo recolhidos
    Os que eram salvos, um por seu consorte
    Calipso, ninfa augusta, apetecendo,
    Separava-o da esposa em cava gruta.
    O céu, porém, traçou, volvendo-se anos,
    15 De Ítaca reduzi-lo ao seio amigo,
    Onde novos trabalhos o aguardavam:
    De Ulisses condoíam-se as deidades;
    Mas, sempre infenso, obstava-lhe Netuno,
    Este era entre os Etíopes longínquos,
    20 Do oriente e ocidente últimos homens,
    Num de touros e ovelhas sacrifício
    A deleitar-se; e estavam já no alcáçar
    Do Olimpo os habitantes em concílio.
    O soberano, a recordar Egisto
    25 Do Agamenônio Orestes imolado,
    Principia: “Os mortais ah! nos imputam,
    Os males seus, que ao fado e à própria incúria
    Devem somente. Contra o fado mesmo,
    Do porvir não cuidoso, há pouco Egisto,
    30 Em seu regresso o Atrida assassinando,
    Esposou-lhe a mulher, bem que enviado
    O Argicida sutil o dissuadisse:
    — De o matar foge e poluir seu leito;
    Senão, tem de vingá-lo, adolescente
    35 Sendo investido no seu reino Orestes. —
    Mercúrio o amoestou, mas surdo Egisto,
    Os delitos por junto expia agora”.
    A quem Minerva: “Sumo pai Satúrnio,
    Jaz com razão punido esse perverso;
    40 Todo que o imitar, com ele acabe!
    Mas a aflição de Ulisses me compunge,
    Que, há tanto longe dos amenos lares,
    Em ilha está circúnflua e nemorosa,
    Lá no embigo do mar; onde é retido
    45 Pela filha de Atlante onisciente,
    Que o salso abismo sonda, o peso atura
    Das colunas que a terra e o céu demarcam.
    A deusa com blandícias o acarinha;
    De Ítaca ele saudoso, o pátrio fumo
    50 Ver deseja e morrer. Não te comoves?
    Irritou-te faltando, em sua amada
    E em Tróia, com ofertas e holocaustos?”
    E o Junta-nuvens: “Que proferes, filha,
    Do encerro dessa boca? eu deslembrar-me
    55 Do mortal mais sisudo, o mais devoto,
    Aos celícolas pio e dadivoso!
    Da terra o abarcador é quem o avexa,
    Por ter do olho privado a Polifemo,
    O mor Ciclope, que, num antro unida
    60 A Netuno, pariu Toosa, estirpe
    De Fórcis deus do pego insemeável.
    O Enosigeu d’então lhe poupa a vida,
    Mas de Ítaca o arreda. Provejamos
    Na vinda sua; aplaque-se Netuno:
    65 Só contra todos contender não pode”.
    A Olhicerúlea: “Ó padre, ó rei supremo,
    Se vos praz que à família torne Ulisses,
    Da ínsula Ogígia à ninfa emadeixada
    Mercúrio o intime, o herói prudente parta.
    70 A Ítaca baixo a confortar o filho:
    Os comantes Argeus convoque ousado;
    Suste aos vorazes procos a carnagem
    De flexípedes bois e ovelhas pingues.
    Dali, na Esparta e na arenosa Pilos,
    75 Do amado genitor se informe e indague,
    E entre humanos obtenha ilustre fama”.
    Já liga alparcas de ouro incorruptíveis,
    Que a propelem como aura pelas ondas
    Ou pelo amplo terreno; a lança empunha
    80 De érea afiada ponta e desmedida,
    Com que turmas de heróis desfaz metuenda,
    Progênie de tal pai. Do Olimpo frecha;
    Em Ítaca, ao vestíbulo de Ulisses
    Tem-se, e de hasta na destra, parecia
    85 O hóspede Mentes campeão dos Táfios.
    Ao pórtico acha intrusos pretendentes
    Sobre coiros de bois que morto haviam,
    Os dados a jogar. Servos e arautos
    Misturam nas crateras água e vinho,
    90 Ou com povosa esponja as mesas pulem,
    E partem nelas abundantes carnes.
    Distante a vê Telêmaco deiforme:
    No meio, taciturno e consternado
    No genitor pensava, que expulsá-los
    95 E reger venha o leme do governo.
    Entrementes a avista, e não sofrendo
    Por mais tempo de fora um peregrino,
    Corre, aperta-lhe a mão, sua arma toma:
    “Hóspede amigo, salve; o que precisas,
    100 Depois do teu repasto o saberemos”.
    Ei-lo encaminha a déia, e já na sala
    Ante celsa coluna encosta a lança
    À nítida hastaria, onde em fileira
    As de Ulisses valente em pé dormiam.
    105 Num trono a põe dedáleo de alcatifa
    E de escabelo aos pés, senta-se perto
    Em variegada sela; à parte ficam,
    Para que, à bulha e ao trato com soberbos,
    O hóspede o apetite não perdesse,
    110 E do pai ele a folgo o interrogasse.
    De gomil de ouro às mãos verte uma serva
    Água em bacia argêntea, a mesa lustra,
    Que enche a modesta afável despenseira
    De pães e das presentes iguarias;
    115 Escudelas de várias novas carnes
    O trinchante apresenta e copos de ouro,
    Que arrasa de almo vinho arauto assíduo.
    Suspenso o jogo, os feros pretendentes
    Ocupam já cadeiras e camilhas;
    120 Dão água às mãos arautos, pão comulam
    Servas em canistréis; atiram-se eles
    Aos regalados pratos, e as crateras
    Lhes coroam mancebos. Farta a sede,
    Farta a fome, em prazer os embriagam
    125 Música, dança, adornos de banquetes:
    Cítara ebúrnea entrega um dos arautos
    A Fêmio, que forçado ali tangia
    E o cântico ajustava ao som das cordas.
    Inclinou-se Telêmaco a Minerva,
    130 Dizendo à puridade: “Hóspede caro,
    Vou talvez enfadar-te? Eles só curam
    De cantigas e danças, porque impunes
    Comem do alheio, os bens do herói consumem.
    Cuja ossada ou jaz podre em longes terras,
    135 Ou rola entre maretas; ah! se o vissem
    Cá reaparecer, mais que ouro e galas,
    Planta leve amariam. Fado acerbo
    Urge-o porém, e embora algum terrestre
    A volta sua afirme, as esperanças
    140 Murchas estão, nem luzirá tal dia.
    Ora, quem és? de que família e pátria?
    Com que gente vieste e em que navio?
    Vindo a pé não te creio. Uses franqueza,
    Hóspede me és recente ou já paterno?
    145 A muitos nosso teto agasalhava,
    E meu pai atraía os forasteiros”.
    A de azuis claros olhos: “Não duvides,
    Mentes sou, de ser nado me glorio
    De Anquíale belaz, e os Táfios mando
    150 Náuticos hábeis. Vim, com meus remeiros
    Sulcando o negro pélago, a Temeses
    De estranha língua permutar meu ferro
    Pelo seu cobre: o vaso tenho surto
    No Retro porto, fora da cidade,
    155 Junto ao Neio frondoso. Antigo hospício
    Me une a teu pai, e o diga o bom Laertes;
    Herói que, é fama, a corte mesto esquiva
    Em campo solitário, onde ama idosa
    Lhe apresta a mesa, ao vir cansado e lasso
    160 De amanhar fertilíssimos vinhedos.
    Cuidei, corria voz, tornado Ulisses;
    Mas os deuses o impedem, que inda vive
    Em ilha de mar vasto circunfusa,
    Por bárbaros detido e involuntário.
    165 O que o Céu sugeriu-me, eu to assevero,
    Se bem áugur não seja ou grã-profeta:
    Não tardará; que, embora o tenham ferros,
    Ardis cogita. Sê sincero; os olhos
    E a cabeça tens dele, és tu seu filho?
    170 Como agora freqüentes conversávamos;
    Desde que para Tróia, entre os mais cabos,
    Se embarcou, nunca mais nos avistamos”.
    E o príncipe modesto: “Hóspede, é certo
    Que minha mãe de Ulisses me diz prole;
    175 Por si mesmo ninguém seu pai descobre.
    Oh! gerado fosse eu de um mais ditoso,
    Que em suas possessões envelhecesse!
    A porvir de um herói, já que o perguntas,
    Esse é desgraçadíssimo dos homens”.
    180 E Palas: “Deu-te o Céu preclaro berço,
    És da casta Penélope nascido.
    Mas, dize, que festim, que turba é esta?
    Para que a tens? são núpcias? é banquete?
    Por escote o não fazem. Que insolência!
    185 Qualquer homem de siso há de irritar-se
    De os ver assim”. — Telêmaco prudente:
    “Hóspede, honesta e rica era esta casa,
    Quando aquele varão conosco estava;
    Mas obscuro ocultá-lo aprouve aos deuses.
    190 Menos dor fora se acabasse em Ílion,
    Ou no meio de amigos triunfante:
    Erigindo-lhe a Grécia um monumento,
    Ao filho seu legara imensa glória.
    As Harpias cruéis mo arrebataram;
    195 Sem brilho algum morreu, só lutos, herdo.
    Outros prantos o fado nos suscita:
    Os chefes de Dulíquio ambiciosos,
    De Ítaca rude e Samos e Zacinto
    Pretendem minha mãe, que os não repulsa,
    200 Bem que fiel tais himeneus deteste;
    Famélicos o haver me dilapidam,
    E malvados a morte me aparelham”.
    Palas com dó: “Precisas de que Ulisses
    A mão carregue sobre audácia tanta.
    205 Oh! de seu paço à entrada aparecesse
    De elmo, adarga e hastas duas, qual chegando
    O vi de Éfira e de Ilo Mermérida,
    Aonde fora numa nau veleira
    Comprar veneno para ervar as setas;
    210 Mas, como Ilo o negou temendo os numes,
    Lho deu meu pai, que amigo em nossa casa
    O regalou de saborosos vinhos:
    Surdisse, e a boda amargaria aos procos.
    Se cá deva o Laércio ou não vingar-se,
    215 Arcano é divinal; tu considera
    De enxotá-los o modo, eu to aconselho:
    Em assembléia aos teus amanhã fala,
    Atesta o Céu, despede esses intrusos;
    A desejar Penélope outro esposo,
    220 Torne a seu pai, que as núpcias lá celebre,
    E um dote para a filha haja condigno.
    Se outro cordato aviso adotar queres,
    Navegues, a indagar de Ulisses novas,
    Em ótimo baixel de vinte remos:
    225 Talvez alguém te informe, ou soe o brado
    Com que Jove aos mortais gradua a fama.
    Interroga a Nestor primeiro em Pilos,
    Na Esparta ao louro Atrida, que o postremo
    Dos lorigados reis entrou na Grécia.
    230 Vivo Ulisses, paciente um ano esperes;
    Morto, regressa, um monumento exalça
    E consagra-lhe exéquias dignas dele;
    De ti novo marido a mãe receba.
    Isto acabado, às claras ou por fraude,
    235 Sério dos procos desfazer-te busca:
    De brincos pueris não é mais tempo.
    Ouves de Orestes o renome honroso,
    Por ter vingado o pai no infame Egisto?
    Sê no valor qual és no garbo e talhe;
    240 Gabem-te, filho, as gerações futuras.
    Vou-me à inquieta nau por minha ausência:
    Tudo observes, amigo, e nada esqueças”.
    E o moço: “Hóspede, os sábios teus conselhos
    Preceitos são de pai, que eu n’alma guardo.
    245 Mas demora-te ainda, a fim que um banho
    O coração te alegre, e prenda exímia
    Aceites hospital, que tu conserves,
    Doce memória da amizade nossa”.
    “Não me estorves, replica, ansioso parto.
    250 A tua oferta para a volta aceito;
    A Tafo hei de levá-la, e dignamente
    Retribuir”. Eis voa a gázea deusa,
    Águia Anopéia, infunde-lhe coragem,
    Na alma avivando o pai. Crendo-a celeste,
    255 O deiforme assombrado aos mais se agrega.
    Mudos a Fêmio atendem, que o de Tróia
    Triste regresso dos Aqueus modula,
    *Pom Minerva disposto. A nobre Icária
    Penélope a divina cantilena
    260 Do alto percebe, e desce pela escada.
    Não só, com duas servas; ante os procos,
    À porta, o véu de pejo ao rosto abaixa,
    Entre as servas lágrima, ao vale fala:
    Fêmio, outros carmes e trabalhos sabes
    265 De homens e deuses, da poesia assunto;
    Escolhe um que a beber te escutem ledos:
    Suspende esse cantar, que amargo sempre
    O coração me rala e mo entristece,
    À lembrança do herói, cuja alta glória
    270 Por toda Hélade e Argólida ressoa”.
    “Reprovas, minha mãe, contesta o filho,
    Que nos deleite a impulsos do seu gênio?
    Os poetas não culpes, culpa a Jove
    Que a prazer os inspira e o estro acende.
    275 Não peca em celebrar de Aqueus os males,
    E se é nova a canção, mais prende os homens:
    Reforça o ânimo teu para sustê-la.
    Se luz não teve para a volta Ulisses,
    Em Tróia outros heróis também ficaram.
    280 Mas dentro as servas atarefa, intende
    Na roca e no tear: varões discorram,
    E eu mormente que sou da casa o dono”.
    Recolheu-se com pasmo, na prudência
    Do filho meditando, pela escada,
    285 Mais as fâmulas duas, vai carpindo
    O amado ausente esposo, até que em sono
    Boa Minerva as pálpebras lhe fecha.
    De compartir seu leito ávidos eles,
    Na escurecida sala tumultuam;
    290 A quem Telêmaco: “O alarido cesse
    De Penélope amantes ultrajosos:
    Ora à mesa o cantor saboreemos,
    Na harmonia parelho às divindades.
    Amanhã sem rebouço, em parlamento,
    295 Exporei meu desejo de expulsar-vos:
    Mutuando os festins, comei do vosso.
    A preferirdes consumir sem termo
    Os bens de um só, recorro aos Sempiternos:
    Júpiter o castigo vos fulmine,
    300 E nestes paços expireis inultos”.
    Aqui, mordendo os beiços, da ousadia
    Pasmavam do mancebo; a Antino, garfo
    De Eupiteu, rebentou: “Do Olimpo, certo,
    A sublime linguagem te ensinaram;
    305 Se és audaz, é que de Ítaca circúnflua
    Oh! destinam-te o cetro hereditário”.
    Mui ponderoso o príncipe: “O que ajunto
    Não te exaspere, Antino: eu de vontade
    Granjeara de Júpiter o cetro.
    310 Mau reputas reinar? quem reina goza
    Opulenta morada e as mores honras.
    Na ilha há jovens e anciãos que aspiram,
    Morto Ulisses, ao mando: quero apenas
    O rei ser desta casa, e dos meus servos
    315 Pelo braço paterno conquistados”.
    E Eurímaco de Pólibo: “Quem seja
    De Ítaca rei, no grêmio está dos numes:
    Senhor és do palácio, e enquanto a pátria
    For habitada, príncipe, não temas
    320 Que da riqueza tua alguém te esbulhe.
    Mas conta-nos, amigo, donde veio,
    Que herdades o teu hóspede cultiva,
    Qual é sua prosápia. Anunciou-te
    Perto Ulisses, ou dívida reclama?
    325 Foi-se rapidamente e se encobria;
    Porém no aspecto seu nobreza inculca”.
    “Eurimaco, responde o cauto moço,
    Ah! não verei meu pai, nem creio anúncios,
    Nem curo de adivinhos que na régia
    330 Consulta minha mãe. Aquele é Mentes
    Hóspede meu paterno, que se jacta
    Filho do ilustre Anquíale; é de Tafo,
    Governa os Táfios navegantes hábeis”.
    Fala assim, mas conhece a divindade.
    335 Na dança e melodia eles se enleiam,
    Té que Vésper assoma, e fusca a noite
    Vão-se à casa lograr do mole sono.
    Cuidados cem Telêmaco rolando,
    Um pátio busca interno, onde aposento
    340 Soberbo tinha; avante, aceso um facho
    Ia a castíssima Euricléia, filha
    De Opes de Pisenor, que, enrubescida,
    Por vinte bois comprada, igual da esposa
    A estimava Laertes, mas honesto
    345 Nem lhe tocou, para forrar ciúmes;
    De Telêmaco a serva era dileta,
    Porque infante o pensara. Esta é quem abre
    O camarim formoso: ele na cama
    Despe a macia túnica; dobrada
    350 Em cabide a pendura junto ao leito
    A boa velha, que ao sair, a porta
    Por um anel de prata a si puxando,
    Corre da aldrava o loro. De ovelhuna
    Lã coberto, a cismar despende a noite
    355 Na viagem que a deusa lhe ordenara.


    NOTAS AO LIVRO I
    43-88 — Circúnfluo quer dizer cercado de ondas, e já é nosso. — Embigo do mar, versão literal do grego, significa o lugar mais elevado do mar: não quis diminuir a força do texto. — Pesoissi, interpretado calculis, indica o xadrez, que, segundo a tradição, pouco havia que Palamedes o tinha inventado, e devera ser o jogo da moda; mas parece que o termo grego indica antes o jogo de dados.
    104-114 — A expressão em pé dormiam, aplicada às lanças, é de Pindemonte, e parece-me ter lido em Francisco Manuel cousa parecida. — Das palavras a que faço corresponder presentes iguarias, vê-se que a serva pôs à mesa de Minerva alguns dos pratos que estavam na dos príncipes, e ao depois veio o cozinheiro trinchante com outros quentes: os primeiros deviam ser daqueles que, ainda entre os modernos, se costumam guardar, v. g. fiambres, doces, etc. Assim opinam comentadores, mas em várias traduções omite-se esta circunstância, que aliás mostra um uso da antiguidade.
    221 — Não é claro se o dote seria dado pelo pai ou pelo noivo preferido: há diferentes opiniões, e eu sou mais da segunda.
    274 — Diz M. Giguet: “Les poètes ne sont pas coupables; mais Jupiter, qui dispose à son gré du sort des humains.” Penso que o sentido é que Penélope não culpe a Fêmio o cantar aqueles versos, porque Júpiter é que inspira os poetas a seu prazer.
    302-311 — Digo Antino e não Antinôo, assim como Camões dizia Alcino e não Alcinôo. — Do verso 308-311, opina-se que o reinar não é um mal; o meu bom Ferreira, numa cena belíssima da Castro, é de voto contrário: a experiência contudo favorece o do poeta grego. Se fosse mau o reinar, não se teriam cometido tantos crimes para se obter um cetro. Ao momento de escrever isto, os próprios gregos lutam atrapalhados com a candidatura de muitos que aspiram a carregar sobre eles o mesmo cetro que o trágico lusitano qualifica de pesado para os que o trazem; e os três animais ferozes da Europa estão vibrando o olhar sanguíneo, uns contra os outros, por causa da presa.
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    Item Reviewed: A Odisséia de Homero - Livro I Rating: 5 Reviewed By: Pbsena Sena

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